PONTE DE LIMA: UMA “PONTE” PARA MUITAS COISAS BOAS

No rio ou nas margens, há muito a fazer em Ponte de Lima. Também se pode não fazer nada, observar apenas. E está-se bem.

Da Pousada de Juventude de Ponte de Lima, onde começamos por nos dirigir para deixar as malas, temos já vista para o rio que dá nome à vila, o Lima, e para a natureza que ansiamos por explorar.

O edifício é moderno, da autoria do arquiteto José Guedes da Cruz, e do quarto temos uma vista linda para admirar…

Da Pousada até ao centro da vila demoramos talvez uns dez minutos a pé, seguindo pela avenida junto ao rio.

Não tarda avistamos o outro elemento que batizou a terra: a ponte. E que ponte bonita! E que enquadramento fantástico! É uma ponte romano-gótica e até finais da Idade Média foi a única passagem segura do rio Lima em toda a sua extensão.

Há séculos que a atravessam peregrinos com destino a Santiago de Compostela. Ainda hoje são muitos. Sentamo-nos junto à ponte, no Largo de Camões, a “sala de visitas” da cidade, e vemo-los passar, de mochila às costas, com a caraterística concha pendurada. Também eles parecem encantados com a vila que veem de passagem.

Nós temos mais tempo. Deixamo-nos perder a um passo menos acelerado do que o deles pelas ruas e ruelas da vila. O centro histórico, sendo pequeno, tem muito que admirar. Desde logo, as lindíssimas fachadas das casas senhoriais.

Muitas datam do século XVIII, surgiram após ter sido destruída a muralha da vila e a maioria das torres mandadas construir por D. Pedro I no século XIV. Felizmente restam ainda duas torres, vestígios das restantes, bem como da estrutura defensiva.

É, de facto, uma vila histórica (e bem preservada) esta, mas com espaços modernos ao mesmo tempo, onde apetece de vez em quando parar e ficar a ver as pessoas da terra e os turistas passar.

De máquina fotográfica na mão, chegamos a parecer japoneses, tantos são os recantos que apetece registar. Tiramos fotos ao Pelourinho, aos monumentos em homenagem à Rainha D. Teresa e ao poeta António Feijó. Entramos na Igreja Matriz, mandada contruir por D. João I e, lá perto, espreitamos o bonito Paço do Marquês, do século XV, e o seu Centro de Interpretação da História Militar.

Ao almoço não faltam opções, mas nós estamos em modo turístico e por isso venha daí o prato típico da terra: o arroz de sarrabulho, minhoto dos quatro costados que, sendo um prato forte e bem adequado para esta época do ano, ainda deixa espaço para terminarmos com um leite-creme a refeição.

Se fores apreciador de vinhos, a escolha da bebida também é relativamente fácil. Afinal, estamos aqui na zona dos mundialmente famosos vinhos brancos loureiros e, mesmo que não bebas, pergunta pelo “vinhão”. Se te interessas por enologia, fica a saber que há em Ponte de Lima um Centro de Interpretação e Promoção dos Vinhos Verdes, com área expositiva, sala de provas e informação sobre rotas turísticas associadas ao vinho na região.

Se fosse Verão e o calor nos convidasse a dar um mergulho no rio Lima, talvez não tivéssemos apostado no Sarrabulho. Mas não é e, por isso, vamos fazer a digestão enquanto conhecemos outro ponto emblemático da cidade: a avenida ladeada por Plátanos centenários. Por aqui há também pontos de paragem obrigatória: a Capela de Nossa Senhora da Guia (século XVIII), o notável conjunto arquitetónico formado pelas Igrejas de Santo António dos Frades (século XV) e da Ordem Terceira de S. Francisco (século XVIII), albergado no Museu dos Terceiros.

Depois de umas horas na vila, já dá para entender por que é considerada a “Capital Portuguesa dos Jardins”. Estão espalhados pela cidade e não só no célebre Festival de Jardins de Ponte de Lima, que não vamos poder conhecer porque nos meses de inverno está fechado (reabre em maio).

Mas natureza em Ponte de Lima é algo que não falta o ano todo. Vale a pena visitar a Área Protegida das Lagoas de Bertiandos ali a poucos quilómetros. Prepara-te para uma imersão no verde, para um passeio por caminhos que nos conectam com a terra, ao som de várias espécies animais. Por momentos vais pensar que estás a milhas da civilização. Outro local de referência é a Quinta de Pentieiros.

Para a noite, não deixes de espreitar a programação do Teatro Diogo Bernardes. Ali vai-se não só para ver espetáculos culturais, mas para contemplar um belíssimo exemplar de um teatro à italiana, inaugurado já em 1983.

No dia seguinte, após o pequeno-almoço na Pousada, decidimos voltar ao centro histórico. É que houve algo importante que não fizemos e estávamos tentados a fazer: atravessar a ponte. E vale a pena. Do outro lado, espera-nos o Museu do Brinquedo, com uma coleção de brinquedos portugueses que abarca várias décadas e nos dá uma ideia de como a forma de brincar foi mudando ao longo do tempo.

Estando deste lado, há que visitar também a Igreja de Santo António da Torre Velha (século XIX) e a Capela do Anjo da Guarda. Com raízes românicas e góticas, já do século XII (dizem-nos) surpreende pelo modo como se insere na paisagem. Além disso, é depois bonito voltar e ver Ponte de Lima de frente.

À tarde voltaremos a esta margem do rio, mas já de carro e numa parte mais afastada do centro. Queremos aproveitar o Lima, experimentar dar um passeio de canoa e percorrer a pé ou de bicicleta algumas ecovias disponíveis.

Partimos com vontade de voltar. Talvez para conhecer dois momentos festivos de Ponte de Lima: a Vaca das Cordas e as Feiras Novas, dois momentos em que a vila transborda de gente.

Pousada de Juventude de Ponte de Lima 
Preço por pessoa/noite: a partir de €11, com pequeno-almoço incluído

2018-02-27T18:59:20+00:00

Leave A Comment